Qual a pretensão do blog? Nenhuma. As palavras por si mesmas possuem seu peso, sua luz e significância. Tudo, ou quase tudo, está nas entrelinhas dos textos. É possível saboreá-las com o paladar da fome. Aqueles que possuem pensamentos afins criam pontes entre-mentes. Beijos azuis aos que passarem por aqui.
sábado, 25 de junho de 2016
quarta-feira, 9 de abril de 2014
uma coisa
uma coisa
tenho tempo e não tenho
o tempo me sobra por sobre o tédio
me falta pelo que a vida exige de mim
me esvazio
até não mais existir expectativas
não as crio para mim
não as dou para os outros
logo, logo morro
quero fazê-lo sem assombro
porque o tempo
esse é rápido-lento
e hoje
o tédio me engoliu inteira
Nercy Luiza Barbosa
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
sábado, 5 de março de 2011
não ser
não ser
tenho me seguido
feito sombra do meio-dia
e não me alcanço
quando canso
pauso
.
.
.
no parapeito do mundo
intrincada e distante
adentro noite-lua
um tanto pranto
outro crua
enquanto me busco
me desencontro
no encontro
com o medo que tenho
tenho me seguido
feito sombra do meio-dia
e não me alcanço
quando canso
pauso
.
.
.
no parapeito do mundo
intrincada e distante
adentro noite-lua
um tanto pranto
outro crua
enquanto me busco
me desencontro
no encontro
com o medo que tenho
dessa vontade de morrer
Nercy Luiza Barbosa
sábado, 26 de junho de 2010
uma coisa
tenho tempo e não tenho
o tempo me sobra por sobre o tédio da vida
me falta pelo que ela exige de mim
me esvazio
até não mais existir expectativas
não as crio para mim
não as dou para os outros
logo logo morro
quero fazê-lo sem assombro
porque o tempo
esse é rápido-lento
e hoje
o tédio me engoliu inteira
tenho tempo e não tenho
o tempo me sobra por sobre o tédio da vida
me falta pelo que ela exige de mim
me esvazio
até não mais existir expectativas
não as crio para mim
não as dou para os outros
logo logo morro
quero fazê-lo sem assombro
porque o tempo
esse é rápido-lento
e hoje
o tédio me engoliu inteira
Nercy Luiza Barbosa
domingo, 23 de maio de 2010

Mineral
Minha cidade imaginária não tem chão, ou melhor... Tem sim! Só que é transparente. Quando se anda pelas ruas, pisa-se sobre uma outra cidade. Ou será outro mundo? Não sei! Há dias que o humor está ácido. O dia está nublado e tudo parece um tédio, piso mais forte nesse chão. Então, ele se rompe... e lá vou eu, deslizando para meu mundo perfeito. Todo o lugar existe sobre as águas, e eu ando por entre árvores de folhas líquidas, verdes e ondulantes. Os pássaros mudam de forma como ondas do mar sob o vento. As pessoas escorrem pelo chão d’água, feito água mesmo, tudo é água. Ao pisar sobre elas (sem querer), elas me sorriem um riso molhado e fértil. Fértil porque desse sorriso brota outros.À margem desse chão corre uma biblioteca-rio continuamente, nela se pode ler todos os livros do mundo, e todos no idioma eu falo. Há também meu cachorro que morreu, ao me ver ele dança de alegria e eu de louca mesmo, mas uma loucura feliz. O lugar todo é magia molhada. É quando me dou conta que preciso voltar para minha realidade ilhada. E todas as vezes que tudo fica árido, é nesse outro mundo molhado que entro. É dele que volto... inteira mineral.
Minha cidade imaginária não tem chão, ou melhor... Tem sim! Só que é transparente. Quando se anda pelas ruas, pisa-se sobre uma outra cidade. Ou será outro mundo? Não sei! Há dias que o humor está ácido. O dia está nublado e tudo parece um tédio, piso mais forte nesse chão. Então, ele se rompe... e lá vou eu, deslizando para meu mundo perfeito. Todo o lugar existe sobre as águas, e eu ando por entre árvores de folhas líquidas, verdes e ondulantes. Os pássaros mudam de forma como ondas do mar sob o vento. As pessoas escorrem pelo chão d’água, feito água mesmo, tudo é água. Ao pisar sobre elas (sem querer), elas me sorriem um riso molhado e fértil. Fértil porque desse sorriso brota outros.À margem desse chão corre uma biblioteca-rio continuamente, nela se pode ler todos os livros do mundo, e todos no idioma eu falo. Há também meu cachorro que morreu, ao me ver ele dança de alegria e eu de louca mesmo, mas uma loucura feliz. O lugar todo é magia molhada. É quando me dou conta que preciso voltar para minha realidade ilhada. E todas as vezes que tudo fica árido, é nesse outro mundo molhado que entro. É dele que volto... inteira mineral.
Nercy Luiza Barbosa
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