sábado, 5 de março de 2011

não ser


tenho me seguido
feito sombra do meio-dia
e não me alcanço
quando canso

pauso
.
.
.
no parapeito do mundo

intrincada e distante
adentro noite-lua
um tanto pranto
outro crua
enquanto me busco
me desencontro
no encontro
com o medo que tenho
dessa vontade de morrer
Nercy Luiza Barbosa

Marco 0


eu sabia
em algum momento se esvairia de mim
a poesia
nesse tempo
uma aridez profunda me queimaria a alma
então eu não mais seria dentro
ao avesso

todo sol me queima as vísceras
à flor da vida
- todos os extremos - ferida
agonizo enquanto não me traduzo escrita
Nercy Luiza Barbosa