segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sem morrer


Não vou morrer nem mais nem menos,
vou viver, a mim me convenho.



Nercy Luiza Barbosa

segunda-feira, 29 de junho de 2009



UM sem MAR


a realidade da ausência
mantém-te vivo
dentro do que penso
e
te penso
pensamento

muitas vezes almoço o jantar contigo
converso a linguagem silenciosa da saudade
e te ouço dentro dela

às vezes dou risada de tua fala
aquela que só eu conheço
que só eu perdi

o que escrevo é vermelho - vinho
que tomei por nós
já que unívocos éramos-somos
bebo agora o que sobra dos nós

brindo a tua existência doce e breve
porque o que amo não morre
fica encantado (.)

Nercy Luiza Barbosa

sábado, 14 de março de 2009

GIGANTE ADORMECIDO

um...
dois...
três pássaros!...
organismos furiosos – nervos de metais
líquido vital – perigoso combustível adicional
fidedigma nos tubos venais
o cérebro - cabine de controle mortal
QI? Reprodutor de efeitos especiais
QE? Nem pensar!
DNA...DNA... não há como explicar
atribuído está à ciência ficcional
ou a concentração do mal num momento crucial

o pássaro raivoso investe contra um dos signos da riqueza
como a um flash wollywoodiano , contra o segundo também
animal...animais letais - irracionais primatas
incontáveis ais carnais
pobre poderes – homens frios – bestiais torpezas
feridas, gemem as gêmeas, temendo sofrer
num esforço último lambem as entranhas
de humanas belezas
agora sabem...antes de matar o fogo faz doer
kamikazes egípcios, paquistaneses...
não importa qual seja a nação
embalde irão conhecer
que não há eucaristia nas labaredas
das gêmeas que fremem a canção de morrer
juntas aos autores da vileza sucumbem
enfim – incoesas – desaparecem as fortalezas
o que parecia flash absoluto
transformado é em longa metragem de minutos
fere ainda ao pentágono o antagônico inimigo astuto
a potência reinava em berço esplendido – robusta
desperta – a fera quer guerra – em honra ao reduto

retrógrado e armado o homem vai à luta
Nercy Luiza Barbosa

domingo, 1 de março de 2009


me ser


ao ser
perde-se de mim
me condena
me arrasta
arrasada
fico rasa

então sou chão
mas crio asas
e
ganho
e
perco


me condeno
vencida - não decido
e
vou me chocando
entre o mim
e
antimim.



Nercy Luiza Barbosa

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

ausente


nem dia frio assim
hei de lembrar tua voz inaudível
que por não falar
me vasculhava a alma

hoje meu espírito nu
congela aos ventos primais
em busca da presença tua
que nunca mais terei







Nercy Luiza Barbosa

domingo, 14 de setembro de 2008

picadeiro


procuro explicações
para tudo
o tempo todo
o tempo
dá suas respostas tortas

para ele (o tempo)
as coisas todas seguem um ciclo

e eu
só entendo de círculos
nem sempre uniformes
sinto dor e ela é circular

um circo




(Nercy Luiza Barbosa)
acromática


estou tão dentro de mim
que por pouco não sufoco

não me externo
nem me livro de mim

olho para fora isenta de cor
ver-me
fará com que eu me perca

vê o extensão do perigo?
eu vejo
e estou incolor


(Nercy Luiza Barbosa)
intrínseco

agora sou assim
desordenada

toda saudade
corre
pra dentro

sem fim
(Nercy Luiza Barbosa)

terça-feira, 5 de agosto de 2008


errante



viver é uma aventura desmedida
um itinerário imprevisível
me decodifica em findável ser ou não ser
e
sinto coisas
e
sou
e
não sou

de tanto sentir
acabo consumida
como beijo não ungido

oh, Deus, eu quase existo!



(Nercy Luiza Barbosa)

progênie



parto
um parto dentro de mim
em parte
parto-filho
que não vem
que não chega
só o sangue desvenda
este instante meu
que
é
.
.
.
estranho

Nercy Luiza Barbosa