Qual a pretensão do blog? Nenhuma. As palavras por si mesmas possuem seu peso, sua luz e significância. Tudo, ou quase tudo, está nas entrelinhas dos textos. É possível saboreá-las com o paladar da fome. Aqueles que possuem pensamentos afins criam pontes entre-mentes. Beijos azuis aos que passarem por aqui.
domingo, 14 de setembro de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008

PSICO
Fórmulas
Implicam formas
Estabelecem regras
Que se rebelam
Envergam e se quebram
Frente à emoção
Não aderem a nenhuma delas
Desafiam estruturas antigas
Ainda que pareçam belas
Geram contradições
Admitem e conferem
O sinônimo da fera
Em segredos, vergonhas
E guerras
Fórmulas, formas e regras
É como aceitar todas as máscaras
De um Freud que não soma – zera
O que somente o inteiro revela
Implicam formas
Estabelecem regras
Que se rebelam
Envergam e se quebram
Frente à emoção
Não aderem a nenhuma delas
Desafiam estruturas antigas
Ainda que pareçam belas
Geram contradições
Admitem e conferem
O sinônimo da fera
Em segredos, vergonhas
E guerras
Fórmulas, formas e regras
É como aceitar todas as máscaras
De um Freud que não soma – zera
O que somente o inteiro revela
Nercy Luiza Barbosa
EFEITO DOMINÓ EM TABULEIRO DE XADREZ
Escla, Re, Cido e Vital mudaram-se para minha rua numa daquelas tardes em que o sol lambe a linha do horizonte. Dia lindo para o que denominei “tabuleiro humano”.
Cido era o marido da rainha Escla, Re, a irmã e Vital, o cachorro de todos. Cido rei era um devasso dissimulado, amava uma irmã por vez, além, é claro, do pião Valdez, que morava ao lado e era cortês.
Não respeitaram a regra do jogo e não usaram o preservativo da sensatez. Re se deleitava de prazer, enquanto Valdez ostentava a condição de co-concubina com altivez. Escla desconfiava entre o sim e o talvez – afinal o amor é cego tanto quanto a estupidez.
Cido e Escla poderiam ter tido belos filhos, Maria, João e Inês; com Re teria sido felicidade a seis, mas Cido traiu a todas e a AIDS matou os três para depois sucumbir Valdez.
Agora Vital é mau agouro, ninguém o quer, a não ser Montenegro, ex-namorado de Valdez.
Relembrando essa história, percebo que toda segurança está comprometida comigo embaixo do chuveiro, escorrendo lenta, frágil e vermelha pelo ralo do banheiro.
Surge então a inevitável pergunta: serei eu a peça da vez? Eu que amei Montenegro por apenas um mês? Enquanto a reposta não vem, a vida continua com seu macabro jogo de xadrez.
Escla, Re, Cido e Vital mudaram-se para minha rua numa daquelas tardes em que o sol lambe a linha do horizonte. Dia lindo para o que denominei “tabuleiro humano”.
Cido era o marido da rainha Escla, Re, a irmã e Vital, o cachorro de todos. Cido rei era um devasso dissimulado, amava uma irmã por vez, além, é claro, do pião Valdez, que morava ao lado e era cortês.
Não respeitaram a regra do jogo e não usaram o preservativo da sensatez. Re se deleitava de prazer, enquanto Valdez ostentava a condição de co-concubina com altivez. Escla desconfiava entre o sim e o talvez – afinal o amor é cego tanto quanto a estupidez.
Cido e Escla poderiam ter tido belos filhos, Maria, João e Inês; com Re teria sido felicidade a seis, mas Cido traiu a todas e a AIDS matou os três para depois sucumbir Valdez.
Agora Vital é mau agouro, ninguém o quer, a não ser Montenegro, ex-namorado de Valdez.
Relembrando essa história, percebo que toda segurança está comprometida comigo embaixo do chuveiro, escorrendo lenta, frágil e vermelha pelo ralo do banheiro.
Surge então a inevitável pergunta: serei eu a peça da vez? Eu que amei Montenegro por apenas um mês? Enquanto a reposta não vem, a vida continua com seu macabro jogo de xadrez.
Nercy Luiza Barbosa
domingo, 16 de março de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Designação
escolho entre nomes
um que não seja comum
porque há dentro do que sou
um oceano incomum de dois nomes
por certo meus pais acharam que eu seria um ser duplo
se enganaram
sou tantas e nenhuma
sou Nercy
assim
escrito em vermelho
a que sangra em vértice rodopiante
e sou Luiza
a de Jobim
a de ninguém
a de nenhum sentido exato
o exato não me veste bem
me cai tão desconfortavelmente
quanto o Tacacá do Acre
Nercy Luiza Barbosa
um que não seja comum
porque há dentro do que sou
um oceano incomum de dois nomes
por certo meus pais acharam que eu seria um ser duplo
se enganaram
sou tantas e nenhuma
sou Nercy
assim
escrito em vermelho
a que sangra em vértice rodopiante
e sou Luiza
a de Jobim
a de ninguém
a de nenhum sentido exato
o exato não me veste bem
me cai tão desconfortavelmente
quanto o Tacacá do Acre
Nercy Luiza Barbosa
domingo, 5 de agosto de 2007
Assinar:
Postagens (Atom)








