domingo, 10 de junho de 2007


Espaço-lugar


Tu sempre me salvas do abismo-eu − abismo mundo
Hoje, sem querer, desenhei o cheiro do oceano extenso
Por querer beijei o aroma do mar
Pela primeira vez ele estava doce
Tanto quanto meu momento o trouxe
Foi quando beijei também o ventre do contra-senso

Tu tão poema... eu um tanto prosa
Quero escrever, dizer, contar...
Infinitas redundâncias de quem quer se calar
Desejo quase que me esconder no tudo eu de nada sou
Marcar de me encontrar lá fora é fatal
É continuamente perda de tempo
Perco a hora!Transito novo espaço-lugar: Loba sem mar
Não tenho oceano, não sei para a lua uivar
Mas, teimosa, continuo a sonhar
As coisas todas, quase o tempo todo dão erradas.
Assustada – não consigo chorar

Penso que as estrelas não estão no céu e sim no olhar
Nem tão sério, nem tão vulgar
Penso nos gritos presos nos eus de nós
Prisioneiros de um tu-eu bem no eixo do nó. Temos eixo?
Talvez o tenhamos ao avesso
Periférico, observa-dor
e
mar

Nercy luiza Barbosa

2 comentários:

Sérgio Roberto Sandes disse...

Amada minha arretada!Só você para rasgar as letras assim...
Amo!

Tiago+ disse...

que blog lindo!